De 1º a 28 de junho, Monteiro parou para viver seu tempo mais simbólico e esperado do ano: o São João. Muito mais que um calendário de shows, a festa foi um mergulho profundo nas raízes da cultura nordestina, num respiro coletivo de tradição, poesia e identidade.
Repórter: Sophia Oliveira
Fotografia: Sophia Oliveira
Editor: Fernando Firmino
Não à toa, como já diz um trecho conhecido entre os monteirenses, “Cidade que respira verso e melodia”. O São João em Monteiro não é só festa, é um verdadeiro rito de passagem cultural. Durante quase um mês, a cidade inteira se entrega ao forró, às quadrilhas, aos versos e à alegria que marcam a identidade do povo nordestino.
Cultura que começa nas ruas
O Festival de Quadrilhas Juninas de Monteiro é um dos eventos mais tradicionais da região do Cariri e acontece durante 18 dias em diversos bairros da cidade, reunindo grupos locais e de cidades vizinhas. Essas apresentações animam as comunidades com muita decoração, fogueiras, comidas típicas e forró pé-de-serra, aquecendo o clima para o ápice da festa.
Sítio São Francisco: aconchego, raiz e homenagem
O São João propriamente dito tem início no dia 19 de junho, começando com as atrações no Sítio São Francisco, um espaço familiar que oferece barraquinhas de comidas típicas e muita música regional. O local é conhecido por sua atmosfera acolhedora e cenográfica, com uma programação que valoriza artistas da terra, como Niedson Nil, Vitor Hugo, Nanado Alves e Arturzinho do Acordeon, além de nomes populares como César Amaral, Vates e Violas, Marquinhos da Serrinha e Forró Gente Boa.

Este ano, o Sítio homenageou o poeta Jansen Filho, dando continuidade à tradição de celebrar personagens que marcaram a cultura local. No ano passado, a homenagem foi para Zabé da Loca.
Palco principal: entre raízes e diversidade sonora
De 24 a 28 de junho, o Parque de Eventos de Dejinha de Monteiro recebeu grandes nomes, mesclando a força do forró com a pluralidade dos ritmos que fazem parte da identidade cultural nordestina. A abertura contou com Victor e Léo, Seu Desejo e os emocionantes Filhos de Dejinha, que mantêm vivo o legado de seu pai, um dos grandes nomes da música monteirense.

A programação seguiu com:
- Taty Girl, Eliane e Forró Du Momento
- Matheus Fernandes, Cavalo de Pau e Adriano Silva
- Menos é Mais, Japinha e Ranniery Gomes
- E no encerramento, a presença especial de Walkyria Santos, Thiago Freitas e Forró + Eu
O grupo Menos é Mais, representante do pagode, fez ressalvas e destacou a importância da diversidade musical na festa e o respeito aos ritmos nordestinos:

“Assim como o forró, que é o ritmo predominante do São João, o pagode também é muito popular. A gente entende que chegar aqui com o nosso pagode representa muito, não só para o nosso segmento, mas como conquista profissional. Ao mesmo tempo, pedimos licença a toda a história construída pelo forró, xaxado, xote, e ficamos muito felizes de estar somando numa festa tão grande para o Nordeste.”
Uma celebração que une tradição e cidade
Além de ser uma festa cultural, o São João de Monteiro também celebra o aniversário da cidade, comemorado no dia do encerramento do evento, 28 de junho. Essa data especial reforça o sentimento de pertencimento e orgulho dos moradores, que vivem com intensidade os dias de festa.
Monteiro, uma cidade que respira cultura e história, abre suas portas para moradores e turistas das cidades vizinhas, como São Sebastião do Umbuzeiro, Prata e Ouro Velho, que vêm participar dessa festa que é muito mais que música: é uma celebração da alma nordestina.
