Parque do Povo: Um mesmo espaço, vários públicos

Campina Grande, 14 de junho de 2010

 

Todas as referências de grandes festas trazem também as  contradições. No São João de Campina Grande não poderia ser diferente. “Aqui no Parque do Povo todo mundo sabe qual o seu lugar: quem é da ‘Pirâmide’ não vai para a parte superior e vice-versa”. Essa foi a primeira frase que ouvimos ao conhecer o lugar onde acontece o maior São João do mundo.

A parte superior da festa, onde fica os bares mais requintados, é frequentada pela elite campinense, enquanto que a ‘Pirâmide’ – como é chamada a parte inferior – é conhecida por reunir o contingente popular da cidade.

A estudante Débora Camila diz que nunca passa pela ‘Pirâmide’ porque acredita que é onde está o perigo da festa. “As brigas acontecem lá. É o lugar do ‘risca faca’”. Andréa Ferreira, assídua frequentadora do Parque, conta que não vai à ‘Pirâmide’ “nem que receba algum tipo de pagamento”. Ela diz que a violência na parte inferior é visível e se sente mais segura próxima às barracas sofisticadas. Já Adriana Teixeira prefere a parte superior por ser mais tranquila. “Lá embaixo é muito tumultuado”.

Do lado de quem discorda de toda a má fama que a colorida ‘Pirâmide’ possui, está Elen Mendes, moradora de Queimadas, cidade vizinha de Campina Grande. “Existe uma diferença e só. Aqui não é violento e sim muito animado”, afirma a jovem. A vendedora de churrasquinho, Sila Diniz, se junta ao coro, mas reconhece que a parte superior é frequentada por quem tem maior poder aquisitivo. “A ‘Pirâmide’ não é perigosa, aqui tem lugar para todo mundo”, completa.

De acordo com Bruno Daniel, policial militar da Paraíba, a pirâmide é onde está a classe mais baixa, mas não necessariamente a mais violenta. “Ali ficam os chamados ‘bebuns’: eles só querem beber, se divertir e dançar.” O cabo Monteiro acrescenta que a marginalidade está concentrada na frente do palco principal do Parque do Povo, onde ocorrem os grandes shows da festa. “Os incidentes de furtos e brigas acontecem lá”, sentencia. Segundo os policiais, na época em que o palco principal era próximo da parte mais elitizada, a ‘Pirâmide’ realmente possuia os maiores índices de violência da festa.


Outra grande festa

Assim como no São João de Campina Grande, o maior carnaval do mundo, em Salvador, também apresenta suas próprias contradições. Apesar de os trios elétricos e as grandes atrações desfilarem pelas ruas, os espaços da folia são muito bem delimitados: camarotes e cordas são os responsáveis por dividir a festa de acordo com o poder aquisitivo. De maneira semelhante ao que acontece em Campina Grande, a divisão está enraizada: cada um sabe o seu lugar.

* Os repórteres que produziram essa matéria são do PETCOM da Universidade Federal da Bahia – UFBA e participaram do Projeto Repórter Junino 2010.

 

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