Evento promove integração e troca de ideias entre agentes culturais para fortalecer projetos
Reportagem: Marcele Saraiva
Fotografia: Marcele Saraiva
Editor: Diney de Melo
Falar sobre cultura é tão importante quanto vivê-la. Refletir sobre identidade, tradição e promover o intercâmbio de experiências foram pontos centrais do Seminário de Imersão nos Festejos Juninos, que teve início na manhã da última sexta-feira, 06, no Museu de Arte e Ciência de Campina Grande (MAC). O evento integra a formação prática do curso de pós-graduação em Gestão e Produção Cultural. A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Secretaria de Cultura da Paraíba (Secult) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba – FAPESQ, reuniu estudantes, pesquisadores, produtores culturais e representantes de projetos juninos.

Conexões que transformam
A abertura foi conduzida por Karina Dias, coordenadora de Inovação e Relações Institucionais do MAC-Facisa, que destacou o papel transformador de seminários como este: “Este evento é fundamental para o curso, não apenas pelo conteúdo que será discutido, mas pelas articulações que ele possibilita. É um momento de grande construção para todos.” afirmou.
Para estimular o diálogo, ela propôs uma dinâmica interativa, onde os participantes se reuniram em várias rodas de conversa para se apresentarem e compartilharem projetos e experiências uns com os outros: “É humano tocar outro humano.” enfatizou. Essa também foi uma forma de promover uma conexão com as pessoas ali presentes, construindo uma relação que vai além das redes sociais.
Desafios e resistência na produção cultural
Um dos destaques da mesa-redonda “Projetos Associativos e de Representação” foi a participação de Lima Filho, consultor cultural, poeta, cordelista e presidente da Associação das Quadrilhas Juninas de Campina Grande (ASQUAJU/CG).
Emocionado, Lima compartilhou sua trajetória e os desafios enfrentados pelas quadrilhas juninas, desde as complexidades burocráticas até a gestão cotidiana:. “É preciso entender que o processo só avança quando nos organizamos. Temos que insistir na organização e não deixar nada passar despercebido.”
Durante sua fala, Lima expressou orgulho ao ter ao seu lado Mahatma Vieira, presidente da Moleka Junina, a quadrilha mais premiada da Paraíba, e do Projeto Fábrica Junina: “Tenho muito orgulho de viver este momento com você,” disse, colocando a mão no ombro do colega.

Cultura feita com paixão
Advogado de formação e quadrilheiro de coração, Mahatma reforçou os desafios para quem vive e produz cultura popular: “Muita gente faz cultura, mas não tem o entendimento técnico para tirar os projetos do papel.” Além disso, comenta também sobre as dificuldades na área: “Muito da Moleka Junina é feito por amor, pois raramente há remuneração.”
O impacto social do projeto é inegável, pois, embora ele não considere a quadrilha como um negócio, entende que existem muitas pessoas carentes no grupo, moradores da periferia, e a oficina acaba sendo um espaço de ensino e de apoio mútuo. Durante as competições eles podem até ser concorrentes de outras quadrilhas, mas na luta estão do mesmo lado.
Tornar projetos realidade
Lucas Olies, diretor do MAC, também integrou a mesa e enfatizou os desafios de transformar ideias culturais em projetos concretos: “Grande parte dos projetos para na fase da ideia. Mas como transformar isso em realidade? Como tirar do papel?”
Segundo Lucas, é necessário proatividade e criatividade: “Muita coisa acontece com uma ligação, com um ‘sim’, e às vezes com um pouco de cara de pau.” Ele também ressaltou a importância da acessibilidade nos projetos culturais, que deve estar prevista desde o início dos projetos. O museu não está ali para erguer muros envolta de si, mas para acolher todas as pessoas, todas as culturas e todas as temáticas.
Um espaço vivo para a cultura
O seminário evidenciou a força e o papel transformador dos agentes culturais. Josemberg Pereira, produtor cultural presente no evento e aluno da pós-graduação, resumiu bem esse espírito: “Esse é o momento que a gente se encontra. É uma riqueza gigantesca, onde vamos compartilhar nosso viver artístico, nosso dia a dia. Temos cada vez mais desafios, mas é nesses momentos que a cultura possibilita a integração, mais potencial e mais valor.”
Com o auditório cheio e as trocas de experiências aquecendo os debates, o primeiro dia do seminário reforçou que, apesar dos desafios, a cultura segue como um campo fértil de ideias e de transformação social. Em um ambiente de escuta, partilha e colaboração, artistas, produtores, pesquisadores e estudantes mostraram que o fazer cultural é, antes de tudo, um exercício coletivo, que envolve resistência, criatividade e articulação.

A programação do evento continua neste sábado, dia 7, no Museu de Arte e Ciência com novas mesas-redondas, oficinas práticas e muita troca de ideias. A proposta é ampliar o diálogo entre diferentes agentes culturais, fortalecer a cena local e abrir caminhos para que mais projetos e iniciativas possam sair do papel e impactar positivamente a sociedade.
Mais do que discutir cultura, o seminário evidencia a força de quem a constrói todos os dias. E mostra que, quando há espaço para troca e união, a cultura não apenas resiste, ela se reinventa e também se transforma.
