No Salão de Artesanato da Paraíba, artistas reinventam materiais descartados e emocionam o público com peças que aliam memória, técnica e consciência ecológica
Reportagem: Glória Borges
Fotografia: Ana Luz
Editor: Emily Lima
Lâmpadas queimadas, restos de metal, fragmentos de tecido e madeira sem destino se transformam em arte no Salão de Artesanato da Paraíba. Até 30 de junho, os corredores do espaço montado perto do Partage Shopping, em Campina Grande, são palco de criatividade, memória e sustentabilidade.
O artista Regis, 47 anos, de Esperança, é um dos nomes que surpreendem os visitantes. Dentro de lâmpadas recicladas, ele monta cenas delicadíssimas com pinças, transformando o que iria ao lixo em pequenas catedrais de vidro. “Uma peça pode levar dois meses pra ficar pronta. As grandes eu vendo por R$ 1.000,00. As pequenas, por R$ 50,00”, conta, enquanto responde a curiosidade mais comum: como aquilo foi parar lá dentro?

Além da estética e da técnica, há também o impacto emocional. “Às vezes, a pessoa vem triste. Aí vê uma peça, se emociona, se anima”, conta Regis. “É uma forma de tocar o outro. Não é só vender, é expressar algo.”

Outro nome que brilha é o de Marinaldo, 55 anos, natural de João Pessoa, trabalha com reaproveitamento de peças metálicas. “Hoje em dia, reciclagem tá em alta. A gente transforma o que ia pro descarte em arte com identidade. E aqui é nossa vitrine.”

Mesmo os que trabalham com materiais tradicionais reconhecem o impacto do espaço. Gilberto Barros, que cria bonecos personalizados, afirma que muitas das encomendas vêm depois do salão: “Aqui é nossa vitrine. Muita gente se identifica com os bonecos, dizem que se parecem comigo!”, brinca.

O Salão de Artesanato da Paraíba, entre tantas pautas, reforça a importância da reciclagem como instrumento de geração de renda para artesãos, além de promover a preservação ambiental e valorizar a cultura popular. Ao reunir artistas que transformam resíduos em obras de arte, o evento destaca como o reaproveitamento de materiais pode ir além da sustentabilidade e se tornar expressão criativa e identidade regional. Em um cenário de consumo excessivo, o salão se consolida como um espaço relevante de reflexão e reinvenção aos que estão abertos para tais interpretações.

