Memórias afetivas da tradição junina se mantêm vivas de geração em geração

Campina Grande, 30 de junho de 2025

Entre o cheiro do milho e o calor do fogão, famílias celebram a união e a herança cultural durante o período junino


Reportagem: Jéssica Avelino

Fotografia: Jéssica Avelino

Editor: Diney de Melo


Os irmãos Antônio, Eliana e Edilene unidos, todos com suas determinadas funções. Foto: Jéssica Avelino/Repórter Junino

Em Campina Grande, o São João se estende por mais de 30 dias de festa. Na Zona Rural da cidade, no sítio Felix Amaro, as preparações para os festejos juninos são um costume afetivo que vai além das festas em grandes palcos: é feita de encontros entre gerações, de relembrar as memórias e de celebração da cultura familiar e isso acontece também por meio da cozinha. Nesse cenário, a culinária assume um papel essencial: não apenas alimenta, mas preserva histórias, conecta passado e presente, e transforma o preparo dos pratos típicos em um verdadeiro ato de tradição e pertencimento.

Em junho, as casas se transformam em verdadeiros arraiais culinários. Enquanto uns descascam o milho, outros mexem a canjica no tacho ou preparam a palha da pamonha. É uma tradição que se mantém viva, mesmo diante das mudanças contemporâneas, porque carrega em si a essência da festa: a união. 

Maria de Fátima, a caçula da família, com 65 anos, é uma das que ainda resiste em manter essa tradição viva. Cresceu no sítio de seus pais, sempre reunidos em família, comemoravam o São João de forma ainda mais especial. “Me lembro que era um dia muito festivo, quando a gente se reunia para fazer pamonha, era uma alegria só, porque fazíamos as comidas e sempre tinha aquela reunião de família ao redor da mesa”, afirma Fátima. 


Dona Fátima e Jorge Flávio, mãe e filho, nos preparativos da pamonha. Foto: Jéssica Avelino/Repórter Junino

Ela que mantém viva a prática de reunir a família para preparar as comidas típicas durante o mês de junho, um costume que aprendeu com sua mãe, repassa aos filhos e netos. Jorge Flávio, um dos filhos de Maria de Fátima, diz: “O que me atrai em participar desses momentos é justamente se reunir com a família. Vem todas as recordações do passado e tentamos continuar com essa tradição”. Em meio ao cheiro da pamonha, da canjica e do milho assando, a família mantém viva não apenas o sabor da tradição, mas também o valor do encontro, onde cada receita é um elo entre passado, presente e futuro.

Outros moradores do sítio, alguns irmãos da família Avelino, Edilene, Eliana e Antônio, reuniram-se mais um ano para os preparativos das comidas típicas durante o mês de junho.  A tradição, herdada dos pais, segue firme. Cada um assume uma função com naturalidade: enquanto um descasca o milho, outro corta, e o terceiro cuida do fogo. “Aprendi desde cedo com a nossa mãe, via ela fazendo essas comidas e hoje em dia é a gente que faz”, comenta Eliana, animada. 

Para Edilene, além do sabor das receitas, o mais especial é o reencontro familiar que o momento proporciona. “Pra mim, o mais importante é estarmos juntos. A união da família e compartilhar os momentos é muito bom”. Entre risos, histórias e cheiro de pamonha no ar, os irmãos persistem em manter essa tradição, não apenas no preparo das comidas, mas também no valor simbólico que esse gesto carrega: o de reunir a família ao redor da cultura e da memória.


Preparo manual da Pamanha. Foto: Jéssica Avelino/Repórter Junino

Entre o sabor das receitas e o calor dos reencontros, o que se vê no Sítio Félix Amaro é a força de uma tradição que resiste no cotidiano, longe dos grandes palcos, mas enraizada nas cozinhas e nas histórias de quem celebra o São João com o coração. Ao redor do fogão e da mesa, famílias preservam mais do que costumes culinários, preservam identidade e memória. Em cada pamonha enrolada, em cada canjica mexida com paciência, pulsa uma cultura que segue viva porque é feita de afeto, união e herança popular.

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