A cada ano, os festejos juninos se reafirmam como vitrine de expressão cultural. Tradição e criatividade se cruzam nos looks dos jovens que vivem a festa.
Reportagem: Glória Borges
Fotografia: Glória Borges e Amanda Suêlha
Edição: Jossandra Almeida

Entre bandeirolas coloridas e no ritmo das quadrilhas, o São João de Campina Grande vai além da música e da gastronomia: ele também se expressa pela moda. Para muitos, o que se veste durante os festejos é uma extensão da própria identidade. “Se eu fosse definir o São João em uma única palavra, seria: tradição”, afirma Lívia Vitória Vinícius Ramos, de 18 anos, empreendedora e fundadora da loja @useadans, voltada à moda jovem.
Com uma clientela que busca estilo e autenticidade, Lívia aposta em peças que dialogam com a estética da festa, sem abrir mão do perfil da marca. “Não são todas as modas que entram na loja. Algumas não têm nada a ver com o nosso perfil. Mas eu tô sempre de olho no que a galera quer, no que tá pegando”, explica. Segundo ela, as tendências mais fortes para o São João 2025 incluem tons de marrom, estética boho chic e o preto com brilho, visual clássico das noites no Parque do Povo.

Além da loja, ela divide o tempo com a universidade e a gestão do negócio ao lado do namorado e sócio, Ransmyller Guedes. “Ele segura a parte burocrática, e isso me ajuda a focar na criação. É trabalho em equipe, sabe? Por isso dá certo”, conta. A relação com o São João também é marcada pela afetividade: “Quando eu era criança, a festa era com fogueira e família. Hoje, é mais entre amigos, entre casais. Mudou, mas o sentimento tá ali: cultura, memória, infância.”
Outro olhar sobre essa relação entre moda e festa vem de Ingrid Donato, jornalista e gerente de marketing da agência Cabe, especializada em marketing de moda. Para ela, o São João é o palco perfeito para expressão pessoal. “Para nós do Nordeste, a moda no São João é a época certa da gente colocar para fora o nosso estilo. O pessoal de fora acha que é só fantasia junina. Mas não. Aqui é o desfile da nossa essência.”

Segundo Ingrid, o período junino movimenta fortemente o setor comercial. “A maioria das lojas aqui do Nordeste é a época que mais faturam, porque muitas pessoas compram. Ninguém quer repetir a roupa do ano passado”, diz. Ela também aponta as principais tendências da temporada: marrom, preto, vinho (cor marsala), além de tecidos como couro e brilhosos. “Comprei uma bota marrom, um vestido marrom… o preto nunca sai de moda.”
Para Ingrid, a moda junina no Nordeste vai além do estereótipo: é plural. “Seja com xadrez, brilho ou preto, cada um mostra seu estilo. E a gente também lança tendência por aqui, diferente de fora.” Ainda assim, ela reconhece que nem todos conseguem se expressar com tanta liberdade. “Eu, por exemplo, gosto de um estilo mais elegante e básico, mas nem sempre consigo expressar isso. Pode ser por timidez. Mas para quem gosta de moda, o São João é o momento de estampar o estilo.”
As duas concordam em um ponto: a moda é expressão e, acima de tudo, sentimento. Nos dias de festa, Campina Grande, conhecida como o maior polo junino do país, se torna também uma vitrine de comportamento e pertencimento. Cada look carrega mais do que estética: traz história, influência regional e intenção.

