Repórter: Emily Piano
Fotógrafa: Emily Piano

Chegou ao fim neste domingo (19), no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), a exposição “Xilogravura – Impressões Efêmeras: Sulcos do Consumo no Tempo”, do artista Arnilson Montenegro. O evento contou com a mediação da artista visual Rebeca Souza, além de um sorteio de três xilogravuras assinadas para os participantes.
Em cartaz desde junho, a mostra atraiu mais de 20 mil visitantes e 40 escolas. A exposição reúne diversas obras produzidas com diferentes técnicas da xilogravura, uma arte tradicional marcada pelo relevo da matriz. Embora seja geralmente lembrada por sua função utilitária nas produções de cordel, o artista decidiu inovar ao colorir os impressos e substituir o papel pela cerâmica como suporte, conferindo uma nova dimensão à técnica.
Fora os quadros, a exposição apresentou esculturas e pequenos objetos de madeiras táteis, permitindo uma interação direta com o público. Os visitantes também puderam experimentar a técnica de gravura por meio de carimbos, deixando suas próprias marcas em uma obra coletiva exposta nas rampas do museu.

O autor das obras falou sobre a importância da exposição no museu: “Foi maravilhoso. Esse é um aparelho cultural para a cidade muito importante e ocupar esse espaço é uma responsabilidade. A gente ocupou o ano passado com a exposição de matrizes de metal, a calcografia. E aí, esse ano, a gente veio com a xilogravura para apresentar essa técnica de uma forma mais solta, mais fluida, certo? De uma forma mais contemporânea”, destacou Arnilson.
Um dos destaques da mostra foi a homenagem ao artista Luiz Carlos Officina (in memoriam), mestre de Arnilson Montenegro, com a obra intitulada “Um Toque de Lembrança”. Montenegro conheceu Officina em 2010, quando realizou uma residência em ateliê em São Paulo, onde teve contato com muitas técnicas gráficas, descobriu novas possibilidades com a gravura e o aprofundamento dos processos, especialmente sobre os papéis de alta gramatura, como os utilizados na exposição.
Durante o encerramento, Rebeca Souza destacou que o evento também apresentou as atividades do Ateliê Gravo e a trajetória artística de Arnilson Montenegro, cuja produção tem se destacado pela relação entre tradição e inovação na xilogravura. O projeto foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG)

Quem é Arnilson Montenegro:
Arnilson Montenegro é educador e artista gravador, conhecido por suas pesquisas e experimentações com diferentes procedimentos técnicos da gravura. Formado em História pela Universidade Estadual da Paraíba (2012) e especialista em História da Arte, Arnilson mantém uma trajetória que une educação e cultura.
Entre suas principais exposições estão o XVIII Salão Municipal de Artes Plásticas (SAMAP) 2024/2025, a exposição individual em gravura em metal, aprovada pelo edital Paulo Gustavo 2024, além de Escambo Gráfico 2.0 (2022) e a exposição comemorativa dos 30 anos do Museu Casa da Xilogravura, em Campos do Jordão.

