Último dia de apresentações do Concurso Campinense de Quadrilhas Juninas lota a pirâmide

Campina Grande, 11 de junho de 2017  ·  Escrito por Ana Flávia Nóbrega e Ricardo Júnior  ·  Editado por Karollina Oliveira  ·  Fotos de Taysom Maytchael

_DSC8481

Aconteceu na noite deste sábado (10) o segundo dia de apresentações do XV Concurso Campinense de Quadrilhas Juninas. As quadrilhas Expressão Junina, Moleka 100 Vergonha, Rojão do Forró, Junina Cambebas e Pisada Nordestina atraíram para a Pirâmide do Parque do Povo uma grande  quantidade de pessoas que buscam um verdadeiro espetáculo de dança, teatro e cultura popular.

A primeira apresentação da noite ficou a cargo da Expressão Junina, sediada no bairro da Catingueira, que contou mais uma história de amor para os forrozeiros presentes. A quadrilha participa do concurso pelo terceiro ano e desta vez falou do romance inseparável de um caixeiro.

A Moleka 100 Vergonha, a mais aguardada da noite pelo público, veio logo em seguida com o tema Ilu Ayé – Um grito de esperança, desmistificando a ideia de que os negros descendem apenas dos povos que foram escravizados. Alguns componentes da quadrilha representaram danças e costumes de matrizes africanas sem as conhecidas vestimentas juninas, o que levou a arquibancada ao delírio. Sons da floresta, de batuques e do forró exaltaram os Orixás em uma mistura alucinante de ritmos e sons.

O tradicional casamento junino ganhou uma nova roupagem com o objetivo de trazer uma reflexão necessária e importante sobre a intolerância religiosa: a noiva, representando uma personagem criada no catolicismo, se apaixonada por Pedrinho de Ogum, cujas origens religiosas remetem ao Candomblé. O problema é que o pai da noiva não apoiava o relacionamento por serem de religiões diferentes. Ao final da história, porém, o amor acabou vencendo o preconceito._DSC8524

Em seguida, a Junina Cambebas trouxe a temática da seca e da fartura em uma reflexão necessária com o enredo “Sinais”. A Cambebas apostou em elementos cênicos para enriquecer a apresentação. Sediada no bairro das Malvinas, a quadrilha foi a segunda a adotar o tema vivenciado por milhares de nordestinos como enredo, a Escorrega Mai Num Cai também abordou o tema na noite de sexta (9).

A Pisada Nordestina, vinda do bairro Acácio Figueiredo, estreou na competição da melhor maneira possível ao contar com muito dinamismo e cores a história do forró.

Encerrando as apresentações da noite, tivemos a garra da junina Rojão do Forró, que há 19 anos participa da disputa apesar das muitas dificuldades que teve de enfrentar ao longo de sua história.  O tema escolhido para este ano foi “A fé – O desafio dos santos”.  Para retratá-lo, a quadrilha optou por uma montagem matuta ao invés da estilizada, associando passos e músicas mais tradicionais a cenas de interpretação teatral. Hoje em dia, a quadrilha conta com 82 componentes, em sua maioria jovens que buscam manter viva a tradição das quadrilhas juninas.

Sara Campos da Silva, 15, carregou a responsabilidade de ser a noiva da Rojão pelo segundo ano consecutivo e falou sobre a importância do seu posto na apresentação: “Ser a noiva é uma responsabilidade muito grande porque tem que ver o alinhamento, puxar a animação do público e outras coisas. É trabalhoso, preocupante, mas no final tudo acaba bem e a gente só se diverte”, concluiu.

Um total de onze quadrilhas competem pelo título municipal e disputam  três vagas na etapa estadual que acontecerá nos dias 16, 17 e 18 de junho na cidade de Patos. A apuração dos pontos das quadrilhas juninas participantes do XV Concurso Campinense está previsto para começar a partir das 15h deste domingo e será na Estação Cultura, ao lado da Estação Velha. O evento é organizado pela Associação de Quadrilhas (ASQUAJU-CG) e pela Prefeitura Municipal de Campina Grande.

Comentários