Emoção e nostalgia marcam mais uma noite no Maior São João do Mundo

Campina Grande, 22 de junho de 2025

Uma noite em que a música virou memória e uniu gerações no coração da cultura nordestina



Reportagem: Marcele Saraiva 

Fotografia: Ana Luz Rodrigues

Edição: Emily Lima


No último sábado, 21, o Parque do Povo voltou a ser palco de momentos inesquecíveis, reunindo milhares de pessoas em mais um dia do Maior São João do Mundo, em Campina Grande. Nem mesmo a chuva foi capaz de desanimar o público, que permaneceu dançando, sorrindo e celebrando ao lado de amigos e familiares. 

A festa no palco principal começou com Fabrício Rodrigues. Em determinado momento, ele desceu para perto da plateia e fez dali grande parte de sua apresentação, cantando de forma íntima, olho no olho com o público. O carinho e a troca de energia criaram uma atmosfera de proximidade e conexão entre as pessoas presentes, que balançavam e cantavam no mesmo ritmo.


O público vibra. Foto por: Ana Luz Rodrigues/Repórter Junino

Na sequência, Os 3 do Nordeste tomaram conta do palco com sua autenticidade e identidade forrozeira. Com figurinos produzidos por membros da própria família e raízes fincadas em Campina Grande, a apresentação foi um verdadeiro abraço na cultura local. Estar “em casa”, como disseram ao público, tornou o show ainda mais especial. Era como um reencontro com velhos amigos, onde cada música evocava lembranças de outros tempos.


Os 3 do Nordeste contagia o público com o forró tradicional. Foto por: Ana Luz Rodrigues/Repórter Junino

Mas foi com Alceu Valença que a emoção transbordou. Um dos shows mais aguardados da noite, Alceu encantou todas as gerações, desde adolescentes apaixonados por suas letras poéticas, a idosos que carregam suas canções na memória há décadas e crianças que o assistiam nos ombros dos pais, com os olhos brilhando diante de um artista que há anos embala festas juninas por todo o Brasil. 


Alceu Valença sobe ao palco.  Foto por: Ana Luz Rodrigues/Repórter Junino

O encerramento ficou por conta de Zé Cantor, que levou o público ao último fôlego com muito forró raiz. Suas músicas aqueceram os corpos molhados pela chuva e os corações já cheios de emoção. 

O São João de Campina Grande é um ponto de encontro entre passado, presente e futuro. Um espaço onde memórias antigas se encontram com novas experiências. Como no caso de André Carazza, 42 anos, servidor público de Minas Gerais, que veio com uma amiga para viver a magia da festa:

Está maravilhoso! Super organizado, seguro, bonito. O povo é simpático demais. Quero trazer meus filhos e meus pais, porque quando a gente vê algo tão bonito assim, quer compartilhar. É uma experiência pra família toda.

Ou como Daniela Pena, 38, epidemiologista, também de Minas Gerais e que voltou à cidade após 15 anos e reencontrou sua própria história nas cores, sons e sabores do São João: 

Estou impressionada. Continua perfeito! A estrutura melhorou muito, e a comida da Paraíba… estava morrendo de saudade. Mas o que mais me encanta é a energia, as pessoas, a cultura viva e forte que não deixa morrer o legado de quem construiu essa história.” Relata lembrando das homenagens a Luiz Gonzaga feitas durante a noite.


As pessoas cantam e se emocionam em mais uma noite no Parque do Povo. Foto por: Ana Luz Rodrigues/Repórter Junino

Os cantores não apenas cantaram, mas contaram histórias através da música, como verdadeiros guardiões da memória popular. A cada acorde e verso, o tempo parecia parar por instantes, e o Parque do Povo se transformava em um grande palco de recordações, onde a cultura nordestina ganhava vida diante de milhares de olhos emocionados.

Naquela noite de sábado, foi impossível não perceber o elo que o São João cria entre gerações, um abraço entre o passado e o presente, onde avós, filhos e netos dançavam e cantavam as mesmas canções. Além disso, é apenas mais uma prova de que, aqui, o tempo passa devagar quando o coração está em festa. 

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