Luau no Terreiro do Zabé celebra música e tradição do Cariri

Campina Grande, 8 de março de 2026

Artistas e agentes culturais se reuniram para valorizar os saberes do território e manter vivas as expressões culturais da região, em Monteiro


Repórter: Sophia Oliveira 
Fotografia: Sophia Oliveira 
Editor: Fernando Firmino


Josivane Caiano, idealizadora do evento, abrindo a noite. Foto: Sophia Oliveira/Repórter Junino

Neste último sábado (7), o Terreiro do Zabé reuniu diversos artistas e representantes do movimento cultural do Cariri, em Monteiro, em uma noite dedicada à celebração da música, da tradição e dos saberes populares. 

Durante a programação do evento, o público acompanhou apresentações da Banda de Pife do Distrito de Pio X, do Grupo de Mazurca de Santa Catarina, do pifeiro Laudivam Freitas e da apresentação “Cloves Ferreira Falando de Amor”. Realizado às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o encontro também reafirmou a memória de resistência deixada por Zabé da Loca, que têm papel fundamental na preservação da cultura popular.

Além das apresentações musicais, o espaço também contou com a presença de artesãos da região, que expuseram peças produzidas a partir dos saberes tradicionais do território, reforçando a relação entre arte, identidade e cultura popular.


acau Arcoverde, músico, percussionista e produtor musical. Foto: Sophia Oliveira/Repórter Junino

O Terreiro do Zabé é um espaço dedicado à memória de Zabé da Loca, considerada uma das maiores referências da música de pífano no Cariri paraibano. A artista ficou conhecida por levar a tradição do pífano para diferentes palcos do país, tornando-se símbolo da cultura popular da região.

Em entrevista, o músico, percussionista e produtor musical, Cacau Arcoverde, destacou a relevância do evento e a relação que construiu com Zabé ao longo dos anos. Segundo ele, participar do Luau tem um significado especial, já que conviveu com a artista por mais de 13 anos, realizando shows e gravações ao seu lado. “A presença do Dia das Mulheres também foi pensada para homenagear não só Zabé, mas todas as mulheres da região que têm grande importância na preservação da cultura popular”, afirmou.

Para José Lima Filho, conhecido como Zeca do Pife, a tradição do pífano representa um legado passado de geração em geração. Ele conta que aprendeu observando e se interessando pela prática, já que, na época de seu pai, não havia quem ensinasse formalmente. “A gente tinha que ter vontade e aprender sozinho. Hoje eu faço questão de ensinar aos mais novos para que essa tradição não morra”, destacou.


Zeca do Pife,demonstrando o seu talento ao tocar o pífano. Foto: Sophia Oliveira/Repórter Junino

Já o agente cultural, músico e professor, Laudivam Freitas, chamou atenção para os desafios enfrentados por quem vive da cultura popular. Segundo ele, ainda são poucas as vitrines para esses artistas, além da desvalorização financeira do setor. “Mesmo com a existência de editais públicos, muitas vezes essas oportunidades não chegam a todos. Eventos como esse ajudam a manter viva a memória, fortalecer a cultura no seu local de origem e levar a nossa cultura popular para o mundo”, ressaltou.

Mais do que apresentações culturais, o luau se tornou um espaço de encontro entre gerações, onde música, dança e memória se cruzam para reafirmar a força da cultura popular do Cariri. Entre pífanos, passos de mazurca e histórias compartilhadas, a noite reforçou a importância de manter vivos os saberes e tradições do território.


Banda de Pife do Distrito de Pio X e o Pifeiro Laudivam Freitas. Foto: Sophia Oliveira/Repórter Junino

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