Feira do Artesanato Refúgio das Linhas reúne artesãs e impulsiona empreendedorismo feminino

Campina Grande, 31 de março de 2026

O evento aconteceu no dia 29 de março, no Evaldo Cruz, em Campina Grande. 


A Feira de Artesanato Refúgio das Linhas ganha espaço no Parque Evaldo Cruz. Foto: Emily Piano/ Repórter Junino

Repórter: Emily Piano
Fotografia: Emily Piano
Editor: Fernando Firmino


A sétima edição da Feira do Artesanato Refúgio das Linhas foi realizada no último domingo (29), na área coberta do Parque Evaldo Cruz, em Campina Grande, das 15h às 21h. O evento reuniu uma variedade de produtos artesanais, como peças em crochê, laços, panos de prato, caixas decoradas, itens de papelaria e trabalhos de costura criativa. Criada em 2023, a feira tem como principal objetivo fortalecer a autonomia financeira e aumentar as  vendas das artesãs campinenses. 

O projeto, que atualmente reúne mais de 180 mulheres, começou de forma simples: um grupo de WhatsApp criado para comercializar produtos artesanais. A iniciativa é da artesã Kelma Cavalcante, que conta como tudo começou. “Eu aprendi crochê durante a pandemia, aí resolvi abrir uma loja de linhas e acessórios e depois criei um grupo no WhatsApp para vender os produtos. Acabou que o grupo começou a crescer bastante, várias mulheres começaram a entrar e virou uma rede de apoio”, afirma.


A organizadora do evento Kelma Cavalcante. Foto: Emily Piano/ Repórter Junino 

Além da organização das feiras, Kelma também investe na formação de novas artesãs. Em 2024, ela ministrou aulas de crochê em São José da Mata, onde mais de 60 mulheres aprenderam a técnica e passaram a gerar renda com o próprio trabalho. 

O Refúgio das Linhas também promove, mensalmente, rodas de conversa no Parque da Criança, fortalecendo vínculos entre as participantes. Para muitas delas, o projeto vai além do empreendedorismo e a Refúgio das Linhas virou um refúgio de verdade para diversas artesãs. É o caso de Jéssica Rodrigues, que encontrou no crochê uma forma de enfrentar a depressão. “Eu tinha problemas com síndrome do pânico e por isso não saia de casa. A refúgio me ajudou muito nisso, porque Kelma promove as feiras de artesanato, passeios e foi assim que eu comecei a sair de casa e me enturmar mais com as pessoas”, relata.


A artesã Jéssica Rodrigues apresenta suas peças de amigurumi que vende na feira.  Foto: Emily Piano/ Repórter Junino 

A iniciativa também incentiva a participação em eventos e formações na área de artesanato e negócios. A artesã Flávia Souza, conhecida como “Flavinha do Oxente”, conheceu o grupo durante um curso de empreendedorismo feminino e economia solidária. Já atuando na área há 8 anos, ela decidiu integrar o projeto após ter contato com outras participantes e conhecer as feiras organizadas pelo grupo.

Para ela, o projeto vai além da geração de renda e atua também no bem-estar das participantes. “O Refúgio das Linhas traz um acalento para a nossa arte e para as nossas questões pessoais. A gente usa o artesanato de forma terapêutica. Além disso, a visibilidade das feiras é fundamental. Eu vejo a feira como um espaço de captação de clientes. Meu primeiro objetivo quando venho é conhecer pessoas novas, atender novos públicos e divulgar meu contato”, afirma.

Flávia destaca ainda que o contato direto com o público amplia as oportunidades de venda. “A captação de clientes é muito maior do que ficar apenas na rede social, que acaba limitando o alcance. Se a gente não participa das exposições, as pessoas não nos veem. E quem é visto é lembrado e quem é lembrado vende. Por isso, a feira é essencial”, completa

O que começou como uma alternativa para gerar renda durante a pandemia se transformou em uma rede de apoio e fortalecimento feminino. Hoje, a Refúgio das Linhas reúne histórias de superação, empreendedorismo e solidariedade, consolidando-se como um espaço de transformação social em Campina Grande.


A artesã Flávia Souza, a Flavinha do Oxente, durante participação na Feira Refúgio das Linhas.  Foto: Emily Piano/ Repórter Junino  
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