3ª Feira Paraibana da Agricultura Familiar (FEPAF) marca programação em Campina Grande

Campina Grande, 31 de maio de 2026

Com expectativa de superar as edições anteriores, o evento realizado na Vila Sítio São João reúne gastronomia regional, artesanato, tecnologia rural e grandes nomes do forró até este domingo (31).


Reportagem: Maria Eduarda Cardoso 
Fotografia: Emily Piano 
Editora de texto: Sophia Oliveira


CAMPINA GRANDE — A abertura oficial da 3ª Feira Paraibana da Agricultura Familiar (Fepaf) ocorreu entre a tarde e a noite desta quinta-feira (28), na tradicional Vila Sítio São João. O evento estendeu sua programação até este domingo, (31), consolidando-se como um dos maiores espaços de valorização e comercialização direta da produção rural e da identidade cultural do estado.



Promovida pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido (Seafds), a feira contou este ano com uma estrutura segmentada para otimizar as transações comerciais e aproximar ainda mais os pequenos produtores do público consumidor urbano.


Assistência técnica fortalece agricultura familiar além da feira:

Para além da programação da Fepaf, a sustentabilidade e a organização do campo dependem de um suporte contínuo nas propriedades. Presente na abertura do evento, a representação institucional destacou que o apoio do Estado vai muito além da realização da feira, alcançando o dia a dia das comunidades rurais.

“O Governo do Estado garante a Secretaria da Agricultura Familiar, que junta e traz assistência técnica para os agricultores. A necessidade de uma orientação ajuda e fortalece o tempo todo, ensinando como cooperar, o que leva a indicação para outras instâncias. Então, a presença do governo fortalece”, pontuou o representante da organização, reforçando que o suporte técnico funciona como uma engrenagem que conecta o produtor a novas oportunidades de mercado.



Resistência no campo: Cooperativismo e sementes livres de transgênicos

Esse suporte institucional reflete diretamente no sucesso das organizações coletivas. Um exemplo é a Coop Borborema (Cooperativa da Agricultura Familiar Camponesa no Polo da Borborema), sediada em Lagoa Seca, que atua com foco no fortalecimento do homem do campo por meio da produção agroecológica e livre de venenos.

Durante a feira, a cooperativa apresenta ao público produtos derivados do chamado “Milho da Paixão”, entre eles flocão, xerém, fubá e munguzá. A variedade é considerada uma semente crioula, preservada há gerações por agricultores da região e protegida contra a contaminação por organismos geneticamente modificados. 



Gelsa Fernandes, representante da cooperativa, explica que a preservação da semente envolve um trabalho contínuo de monitoramento e conscientização junto aos agricultores. 

“Existe toda uma história e paixão por essa semente, um cuidado imenso em não plantar o transgênico para não contaminar a nossa história e não a apagar. Nossos agricultores fazem o teste de transgenia para garantir que o milho seja 100% limpo, e a cooperativa compra essa produção para beneficiar”, afirma. 

Segundo ela, o trabalho garante, em primeiro lugar, a segurança alimentar das próprias famílias camponesas. “O excedente é vendido nas feiras agroecológicas e a cooperativa entra para acessar políticas públicas essenciais, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), gerando visibilidade e autonomia para o homem do campo.”


A força que vem da natureza: Saberes ancestrais ganham destaque

A soberania alimentar e a valorização das raízes se estendem também para a medicina natural e os saberes herdados de povos originários, localizados na Praça dos Povos Originários e Quilombolas. Os visitantes encontram no espaço soluções que unem sustentabilidade, saúde e a riqueza botânica da Paraíba.

Entre os expositores está  Sanderline Ribeiro dos Santos, indígena Potiguara vinda do município de Rio Tinto. Em seu stands, ela apresenta uma variedade de produtos fitoterápicos e cosméticos artesanais produzidos à base de plantas medicinais e sementes.

“Eu trago aqui garrafadas, xaropes, óleos vegetais e também os óleos produzidos a partir de sementes, como a semente de abóbora e de girassol, que podem tanto ser consumidos quanto usados na pele e no cabelo”, explica.

Entre os destaques de sua produção estão os azeites de abacate e de batiputá, utilizados para fins medicinais eculinários, além de sprays voltados para o fortalecimento da imunidade e tinturas naturais indicadas  para auxiliar no combate à insônia e à ansiedade.

 “Temos o spray para cuidar desse período frio, em que a gente fica gripado com facilidade. Tudo é totalmente natural, a força que vem da natureza é para curar”, destaca Sanderline.


Espaço de afeto e passagem de bastão entre gerações

Com toda essa estrutura de apoio e diversidade, a feira atraiu no final da tarde não apenas quem busca consumir os produtos, mas também famílias inteiras que enxergam no evento um elo cultural profundo. Para quem também tem origem na terra, circular pelos stands iluminados da noite é um ato de valorização e resgate histórico que merece ser compartilhado com os mais novos.

Vinda do município de Areia, no Brejo paraibano, a professora de Geografia Tainá aproveitou a visita para apresentar à filha um universo que faz parte da história de sua família.. 

“Estou aqui para apresentar minha filha a esse espaço maravilhoso que é a feira de agricultura familiar do nosso estado. É muito importante esse momento, esse espaço de resistência dos agricultores. É uma forma de comercializar e valorizar a comunidade camponesa”, destacou.



Para ela, a feira é o reflexo direto de uma identidade que recusa sumir.

“A gente vem da agricultura familiar, somos de Areia, e estamos aqui hoje exatamente para valorizar o produto do nosso trabalho, que é a agricultura familiar. A agricultura familiar está aí, resistindo. Enfim, toda a comunidade venha para cá, porque vale a pena”, convidou.

Para ela, a feira é o reflexo direto de uma identidade que recusa sumir.

“A gente vem da agricultura familiar, somos de Areia, e estamos aqui hoje exatamente para valorizar o produto do nosso trabalho, que é a agricultura familiar. A agricultura familiar está aí, resistindo. Enfim, toda a comunidade venha para cá, porque vale a pena”, convidou.


Estrutura e programação cultural:



Distribuída em diferentes espaços temáticos, a feira foi planejada para facilitar a circulação do público e valorizar a diversidade da produção rural paraibana. A estrutura reúne ambientes voltados à comercialização, capacitação e difusão cultural, contemplando diferentes segmentos da agricultura familiar.

Entre os destaques estão a Praça do Queijo e Mel, dedicada à venda de derivados lácteos artesanais e produtos da apicultura; a Vila do Artesanato e a Vila Cultural, que concentram a comercialização de peças produzidas por artesãos locais e apresentações artísticas; o Hall de Inovação e Educação, destinado a palestras, oficinas e troca de conhecimentos sobre tecnologias voltadas ao Semiárido; e os quiosques de alimentação, que oferecem pratos típicos e receitas tradicionais da culinária regional.

Além das atividades voltadas ao setor produtivo, a programação inclui atrações culturais gratuitas todas as noites na Vila Sítio São João. A grade musical reúne artistas consagrados do forró nordestino, entre eles Santanna, o Cantador, Cavaleiros do Forró, Flávio Leandro, Os 3 do Nordeste e Ton Oliveira, reforçando a proposta da feira de integrar desenvolvimento rural, cultura e identidade regional.


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